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Sorte.

  • 13 de jan. de 2021
  • 3 min de leitura

Há quem nasça deitado em sorte e assim viva. Há quem nunca chegue a vê-la, por mais que tente. Há quem a tenha à frente e a deixe escapar como um sopro de vento que nos rouba o chapéu. Há quem a beije uma vez na vida, e guarde esse momento para sempre. E há quem a construa e veja em cada sorriso a sua sorte. Esses não nascem com ela, nem tão pouco a deixam escapar. Mas fazem da vida a sua sorte.

Eu, aTREVO-me a dizer: que sorte de vida.

O mundo não é perfeito, nunca foi e certamente nunca o será. Até porque o erro é o começo da mudança, da aprendizagem, das novas oportunidades. Não erramos durante a vida toda, mas caímos quantas vezes necessário até termos ganho a força para estar de pé, sem perder o equilíbrio. Quando o atingimos, a vida torna-se plena, acontece feliz, e a nossa sorte aparece, porque é na felicidade e na paz que a encontramos. É na família e nos amigos que nos seguramos. É no por-do-sol que nos revemos e recarregamos. A hora mais bonita, em que o dia e a noite se beijam intensamente. E no amanhã sempre a oportunidade de melhorar e tornar o mundo melhor. Lá fora o caos, não controlamos. Cá dentro, coração sereno, em paz.

Não escolhemos, nem moldamos o passado. Contruímos o presente, projetamos o futuro. Ambicionamos o sonho. Que seja essa a nossa única ambição. O Sonho e a vontade de deixar quem e aquilo que encontramos um bocadinho melhor. De crescer e melhorar. E a sorte aparece de novo.

Nem sempre é fácil, vamos abaixo, o ódio, a raiva e o rancor prendem-nos. Sem nos apercebermos já estamos a afundar. Há que parar e voltar aos lugares felizes. Deixar entrar tudo o que é de bom, abrir o coração e permitir que ele cresça. Sorte, para quem o faz. Amor a entrar, porque é o que nos move. Nada mais. Parece simples e é. Sorte a nossa por sermos conduzidos a amor.

Sentir a sorte em cada abraço, em cada sorriso, em cada pessoa que passar por nós e deixar o bom que há de si. Sorte por também levarem o bom que viram em nós.

Apaixonar por cada momento que nos traga tranquilidade e luz. Mas que sorte a nossa termos o privilégio de nos apaixonar seja pelo que for. Nem que seja uma única vez na vida. Já vivemos com paixão. Há quem também nunca se cruze com algo assim. E também há quem nunca consiga agarrar uma paixão. Que sorte a nossa, a de quem consegue viver a paixão.

Pegar no que não gostamos e tornar isso um ensinamento para nós. Dar aquilo que não recebemos, sem hesitações. É o que nos torna diferentes e o que nos distingue enquanto pessoas. Procurar sempre olhar o lado do outro, com empatia. Comunicar, fazer-nos ouvir, mas também saber ouvir. Fugir a zangas e a ideias erradas por falta de comunicação ou falta de esclarecimento. A conversa é a chave do entendimento. Podermos conversar, discutir, expor sentimentos e opiniões através da palavra é uma sorte. Vamos agarrá-la e usá-la com perspicácia. E a seguir o perdão. Demora, mas é o início da paz.

Nisto tudo, está a vida a acontecer. As etapas a serem conquistadas, umas mais puxadas que outras, desafiantes, outras mais alegres, outras mais tristes. Também são necessárias. Acredito profundamente nisso. A vida é-nos “dada” à nossa medida. Por vezes não é justa, nem convidativa, muito menos sorridente, mas é aí que entramos e fazemos a (nossa) sorte. Procuramos aquilo que nos movimenta, é instinto de (sobre)vivência. Sempre com bondade e respeito no coração. Respeito pelos outros, mas acima de tudo por nós. Se correr mal? Mudamos a rota e damos as mãos aos nossos. Seguimos com força de novo.

E sobretudo, nunca deixar de acreditar.


Sorriso no rosto, amor no coração, alma recheada de leveza e bondade, sonho no olhar.

A sorte, vem por acréscimo.

 
 
 

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