Contrastes.
- 13 de out. de 2023
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Outubro, 2023.
Outono anunciado e na praia mais a norte de Portugal, não corre vento e estamos quase a chegar aos 30 graus. A água que devia gelar o corpo, não faz doer os pés. E a praia está cheia.
Em pleno século XXI, onde a evolução e a tecnologia já são o presente, a Ucrânia e a Rússia estão em guerra. Mandam bombas com a máxima finalidade de destruir e reduzir a pó. Entretanto, na outra ponta do planeta outra guerra começou. Já não são guerras por defesa, são guerras por prazer. E falamos de etiqueta, cidadania e humanidade nas redes sociais.
Há os pobres e os ricos, já quase não se vê o meio termo, de tais pesadas que são as despesas ao fim do mês. São as casas caras da foz e a droga e os desgraçados que atrás circulam.
Em tempos onde se quer um país jovem, onde até se fazem jornadas mundiais da juventude com alta divulgação nos meios dos media, onde se fomenta a progressão dos estudos pelo menos até ao ensino superior, dão-se de mão beijada passagens para fora do país aos jovens que querem construir vida, porque os aceitam sem experiência para trabalhar, pagam bem e fornecem condições dignas. Já que cá as rendas sobem e a oferta de trabalho na área é escassa.
Do outro lado do mundo, uma mulher ganha o prémio Nobel da paz mas está presa e condenada a 31 anos de prisão e 154 chicotadas por ter gritado liberdade. Vale a estatueta e uma vida acabada.
O planeta está a desfazer-se e a dar avisos mas os recursos naturais são freneticamente usados a uma velocidade que leva à rotura. A poluição é tema da mesa, enquanto o gelo derrete e o clima já não acompanha as estações.
Chegamos ao ponto sem retorno. Mas afinal, é só uma folha de outono que caiu num mar tranquilo de verão.
Já não temos marés vivas no oceano. Levamos com elas em terra. E pelo meio, há vidas que se perdem e já não voltam para contar.



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