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Linha da Frente.

  • 15 de mar. de 2020
  • 2 min de leitura

Estamos todos em casa (ou deveríamos estar).

Uns porque sim, outros com medo, outros por segurança, outros por respeito.


O mundo está a parar.

A natureza é realmente surpreendente. Estávamos à espera que tudo fosse “abaixo”, mas não por um bichinho que nem se vê. Que deixa tanto rasto por onde passa.

Quando pensamos que já conquistamos tudo e somos os donos do mundo, vem a natureza, o incontrolável, mostrar-nos quem manda. E pôr-nos no nosso lugar.

É a oportunidade de cada um contribuir para o mundo, ficando em casa. Cumprindo o que tanto é pedido. Estamos sempre a querer descanso, cama, televisão, o sofá… foi-nos dado tudo isso. Há que aproveitar para nos conhecermos e percebermos o que nos desperta. Não vamos desperdiçar, pois não? O universo deu-nos tempo para parar. Tão raro no ser humano. Parar. Mas tão preciso. Perceber o que somos, parados. Em casa. No nosso suposto conforto. Somos confrontados para parar no que é tão nosso. Tarefa difícil. Não será de aproveitar?

Numa fase em que os enfermeiros lutavam pela valorização da profissão, cá vem um bichinho provar ao mundo como são fundamentais. Estão “na linha da frente” junto de médicos e tantos outros profissionais de saúde. Tudo numa equipa a lutar pelo mesmo. Onde estão as divergências e desvalorizações agora?

Até palmas já receberam. Merecidas. A luta nunca é em vão. E o universo encarrega-se sempre de nos mostrar que estamos errados, quando achamos saber o certo.

Até porque nada é certo, nada é garantido. Teve um bicho de aparecer, para se aplaudir a quem salva diariamente. Foi preciso chegar a estas proporções para se bater palmas aos profissionais de saúde.

A todos aqueles que me diziam que era profissão para limpar rabos ou trocar aparadeiras…permitam-me que vos diga que espero que tenham comprado muito papel higiénico, para que não incomodem nunca, mas mesmo nunca, quem trabalha para cuidar do outro.

A todos os que não podem estar de quarentena, ou, que abdicaram dela pelo mundo, um obrigada será pouco. Aplausos são poucos, porque quem cuida e gosta de cuidar nunca sai de cena. Com ou sem bicho.

Mas vamos conseguir. Eu acredito. O mundo acredita.

Até lá fico por casa. Mas quando regressar vou cheia de força e a conhecer-me mais um bocadinho. Tive tempo de parar. O universo deu-nos tempo para parar. Infelizmente só a alguns.


Porque os outros estão a mostrar o que valem…e valem tanto. Valem mesmo muito.



 
 
 

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