Esperança.
- 23 de mar. de 2020
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Uma guerra desigual.
E é, de facto.
É a natureza contra o ser humano. Até agora, estávamos nós a estragar a natureza…e, sorrateiramente, ela decidiu mostrar o poder que tem.
No entanto, é uma guerra luxuosa. Temos comida, temos luz, temos comunicação, temos as redes sociais, temos o quente da nossa casa, o conforto do nosso lar. Temos as nossas coisas connosco.
Mas que guerra refinada é a nossa.
Só não temos a nossa liberdade. A liberdade de sair, abraçar, beijar, molhar os pés no mar, andar pelas ruas.
Mas é com esta guerra que vamos (re)apreender a valorizar. Quando voltarmos às saídas, aos abraços, aos beijos, aos pés molhados pelo mar, às ruas, vai saber bem. Tenho a certeza. E vamos sorrir. Este distanciamento faz-nos ter saudades daquilo que fazíamos ou que podíamos fazer à nossa vontade. E a saudade faz-nos ver aquilo que realmente apreciamos na vida. E são estes pequenos prazeres que nos fazem bem.
E quando voltarmos a vivê-los e senti-los…vamos sorrir e de certo não os vamos banalizar tão cedo. Porque já nos provaram que de um momento para o outro, tudo muda.
Ontem foi dia de chuva e pouco sol. Mas já estamos na primavera. Acabadinha de chegar. Tempo das cores, das flores, dos raios de sol a começarem a fazer frente à chuva. Dizem aqui e ali "Abril águas mil". Talvez nos espere um Abril chuvoso. Talvez. Mas também diz, quem bem sabe, que depois da chuva vem o sol. Deixemos, com respeito e sem pressa, que a chuva caia toda em Abril. E olhemos com esperança para o fim da chuva. Entretanto já será maio, mês das flores. Com tanta "chuva", não serão lindas as flores? Eu, aguardo ansiosamente por ver o primeiro raio de sol a iluminar as cores do jardim. E aguardo ansiosamente por poder eu própria sentar-me nesse jardim.
Porque para já, vejo a “chuva” a cair, pela janela. Enquanto assim for, não corro o risco de me molhar. E mesmo se saísse de guarda chuva, corria riscos. Por isso fico.
E sabem que mais? Hoje está sol. E a esperança aumenta.



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