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Beijo, a que sabes?

  • 13 de abr. de 2022
  • 1 min de leitura

Há alguns que sabem a café pela manhã. Outros a brisa de fim de tarde. Alguns gelam os pés e até fazem doer, ao contrário de outros aquecem a alma, que sabem a fogo, mas não deixam queimar.

Os mais atrevidos sabem a água salgada, a festa de pôr-do-sol, a tequila. Depois há aqueles mais sinceros… Alguns chegam a saber a promessa de para sempre. Uns querem-se eternos outros nem tem sabor, mas todos contam. São beijos.

Há quem os prove com sabor a vingança, outros com paixão, outros só porque sim.

Alguns sabem a colo de mãe e canção de embalar… Sabem a ternura esses. Alguns duram segundos, outros uma vida inteira. Alguns rimam, outros contam

histórias, mas nem sempre todos os conseguem ler.

Há beijos que sabem a segredos, ali ditos, alguns que se esquecem, outros que se guardam até ao fim. Os mais envergonhados sabem a descoberta e, passados anos, talvez saibam a gargalhadas ao jantar.

Os mais desejados podem saber a desilusão ou a sonho concretizado. Depende da sorte. Alguns também sabem a sorte, mas nem todos os apanham. Os mais gulosos, sabem a chocolate e querem-se infinitamente. Depois, os mais serenos, talvez saibam a chá, a alecrim ou a luz de sol a pôr-se. Há ainda os que sabem a terra molhada, a saudade.

Talvez cada beijo guarde um sabor. E talvez por isso não devam ser interrompidos. Não devam ser evitados, não devam ser esquecidos.

É deixa-los falar, no silêncio do toque.


Cada um saberá tirar uma conclusão.

Mas só quem beija é que os sabe.











 
 
 

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