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2020.

  • 31 de dez. de 2020
  • 2 min de leitura

Neste ano que todos apelidam de atípico, eu prefiro chamar-lhe original.


Foi ano de improviso e de desafio. Não foi mais do que aquilo que melhor sabemos fazer, desenrascar.

As cortinas abrem e alguém se esquece da deixa, improvisamos. Ups falhou um compasso! E agora? Improviso. Enganei-me na letra! Segue e não olha para trás.

E assim, num abrir e fechar de mudanças, correu um ano de desafio e incerteza diários. Um ano sem planos, apenas de espera e ânsia por respostas e soluções que não chegaram, com a esperança interrogada na corda bamba. Desta vez não houve guião, o maestro deu entrada, o pano subiu.

O abraço escondeu-se na bambolina, retido nos pensamentos e desejos de cada um e lá se mantém aguardando persistentemente para subir ao palco como personagem principal. O olhar, neste ano “estreia” foi o intérprete do sorriso. Perpetuamente espelhado nos nossos olhos, mas nunca lido com tanto ênfase como agora. Segue o próximo ato e a liberdade fica prisioneira do sítio onde mais livres somos: a nossa casa. Eis que a tela muda e vemo-nos confrontados com algo que nunca imaginamos: nós próprios. O tempo parou, lá fora a desordem, cá dentro nós e agora? Suspense… E a cena desenrola, cada um com o seu género teatral, com o seu toque pessoal na (tentativa de) interpretação do cenário imposto. Quase, quase na apoteose, o “vai correr tudo bem” não brilhou como esperado, mas com ensaios talvez a coisa lá vá, aguardemos, com calma no coração.

Ainda o monólogo da esperança vai a meio e a corda tende a querer que ela caia. Aos tremeliques, é certo, mas seguimos à procura do (nosso) equilíbrio, necessário para que o espetáculo continue.

Chegamos à última cena. É hoje. Não há nada nas didascálias. Fica ao critério de cada um. fechamos os olhos, as pestanas entrelaçam e o silêncio é figurino. Somos (cada um de) nós e a imaginação a contracenar. Que o diálogo voe tanto quanto os nossos melhores sonhos, nem que estejam (por agora) reféns do maior reduto da nossa mente. Tudo começa de um esboço interior que, sem contarmos, pode pintar a nossa história mais bonita.

Somos todos artistas nesta vida feita aos “s” para que tiremos o melhor dela, mas com alguma dificuldade. Que o elenco seja sempre a família (seja ela qual for) nesta cena em que o amor e a paz são protagonistas. O resto vem por acréscimo e no final os aplausos marcam o fechar das cortinas.

Que neste ano “original” todos tenham conseguido uma história mais bonita.


2021, marca o primeiro compasso sem medo, abre a cortina e mostra que 2020 foi só o ensaio geral. Entramos contigo e vamos dar voz ao nosso papel, com respeito, gratidão e empatia na contracena.

Temos todos espaço para brilhar.

Fica a promessa.




 
 
 

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