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Andorinhas, para onde vão?

  • 13 de nov. de 2020
  • 2 min de leitura

- Mãe? Para onde vão as andorinhas?


Ilustração de Lucília Costa

O quarto estava iluminado pelo candeeiro da mesinha de cabeceira, uma luz ténue, e pelas estrelas coladas no teto. A chuva e o vento faziam-se sentir na janela, mas o Martim já estava aconchegado nos cobertores. A história da noite já tinha terminado e a mãe preparava-se para apagar a luz e deixá-lo sonhar.

- As andorinhas são liberdade… Vão atrás do calor, do conforto e dos sonhos. Ficam cá por uns tempos e depois vão explorar, vão procurar novos sítios para conhecer, vão conhecer outras andorinhas. Vão contar histórias e voltam com histórias. Para onde vão? Vão para o quentinho delas, procurar a felicidade.

- Mas elas voltam sempre mãe. Não gostam do sítio para onde foram?

A curiosidade do Martim era enorme, mas o João pestana já o começava a abraçar…

- Gostam Martim. Mas voltam sempre para casa nesta altura do ano. Porque são sempre felizes aqui. Mas também viajam… são livres e voam sempre rumo ao sol! Procuram a tela que o céu pinta no fim do dia. Procuram a luz e as cores quentes… cruzam as nuvens e também elas desenham o céu. Tu um dia também vais crescer e vais voar! Vais sonhar, vais descobrir o céu também. E o mar e as nuvens e tudo o que quiseres!

O colo do João pestana, tão ternurento, quase embrulhou nas estrelas as palavras do Martim.

- Mas vou sempre voltar a casa, mamã…

E um último bocejo envolveu o Martim nos seus sonhos mais bonitos. Os lábios da mãe beijaram a bochecha, bem quentinha, do Martim, aconchegado pelas mantas e embalado pelo cantar da chuva.

A mãe sorriu, apagou a luz e segredou:

- E eu cá estarei para te abraçar.

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